A entrada do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí não se deu com tiros, mas com contratos silenciosos. Grandes redes de combustíveis do estado foram vendidas repentinamente, da noite para o dia, sem explicações públicas. Fachadas permaneceram iguais, bandeiras não mudaram, mas o controle passou discretamente para empresas de fora, especialmente de São Paulo.
PCC usou compra silenciosa de redes de combustíveis para marcar presença no Piauí – Foto: Divulgação/Receita Federal
Essa movimentação, relatada pela imprensa local meses atrás, agora ganha contorno definitivo: parte dessas redes aparece sob suspeita na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal e Polícia Federal nesta quinta-feira (28). A investigação revelou que o Piauí está inserido na engrenagem de um esquema bilionário de fraudes que movimentou R$ 52 bilhões no setor de combustíveis entre 2020 e 2024.
No estado, postos de gasolina serviram como canal para lavagem de dinheiro e emissão de notas fiscais frias. O modelo se repete: dinheiro em espécie entrando como se fosse venda de combustível, notas falsas registradas para justificar cifras milionárias e uma contabilidade paralela que só existe no papel.
O silêncio que cercou as negociações comerciais agora aparece como indício de algo maior: não eram apenas mudanças de mercado, mas sim a porta de entrada do crime organizado. A conexão com o PCC, apontada pelos auditores, mostra que o Piauí se tornou alvo de uma estratégia sofisticada que mescla negócios legais com práticas criminosas.
Entenda o caso:
Campo aberto para o crime organizado
Com uma estrutura fiscalizadora frágil, o Piauí virou campo aberto para essas operações mesmo com alerta da imprensa.
Distribuidoras com capital misterioso, empresários que não aparecem publicamente e redes de postos que crescem ao piscar dos olhos sem qualquer suspeita local são sintomas de um sistema que já se instalou.
O alerta está dado
PCC usou compra silenciosa de redes de combustíveis para marcar presença no Piauí – Foto: Divulgação
Receita Federal autua, Polícia Federal investiga, mas se a estrutura local continuar intacta, a engrenagem não para. Cabe à Polícia Civil e ao Ministério Público do Piauí agir em conjunto para desmontar a base que financia o crime organizado no estado.
Enquanto isso, o consumidor paga o preço. Quem abastece com combustível adulterado ou paga caro por um litro inflado na bomba está, sem saber, bancando o caixa do PCC.
A presença do Piauí nesse mapa bilionário revela uma vulnerabilidade histórica: um estado com fiscalização frágil, dependente do consumo local, facilmente capturado por redes criminosas. Além do rombo fiscal, as adulterações apontadas pela investigação atingem diretamente motoristas e consumidores piauienses.
A operação da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal, segue em andamento, e novos desdobramentos devem apontar os responsáveis diretos pelas fraudes cometidas em território piauiense.
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