Em meio ao escândalo do Gabinete do Ódio, remunerado com dinheiro público, em um suposto esquema envolvendo milicianos digitais e o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL), o Supremo Tribunal Federal (STF) obteve a confissão, em audiência nesta quarta-feira (13/08/2025), do ex-prefeito de São José de Ribamar, no Maranhão, Eudes Sampaio, de que foi procurado pelo agiota Josival Cavalcanti, o “Pacovan”, para o pagamento pela liberação de recursos federais para a área de saúde do munícipio, como cobrança de propina por emendas parlamentares.
No processo estão denunciados os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Bosco Costa (PL-SE) e Pastor Gil (PL-MA). A audiência ocorrida no STF é em decorrência de investigação da Polícia Federal iniciadas no ano de 2020, que resultou no indiciamento dos três deputados. As investigações apresentam um conjunto de provas em que, supostamente, os deputados cobram propinas aos prefeitos pela liberação de emendas parlamentares.
O ex-prefeito Eudes Sampaio disse, na audiência, que recebeu valores (na conta do município) no início do ano de 2020, cujo valor havia sido pleiteado no ano anterior por sua gestão, no Ministério da Saúde. “Eu nem sabia que se tratava de emenda. Eu havia pleiteado uma verba complementar, disponível para São José de Ribamar”, disse.
Ainda no depoimento, o ex-prefeito disse que poucos dias depois do recebimento, foi procurado por “Pacovan”, acompanhado por Antônio José Rocha Silva, ex-prefeito de Água Doce do Maranhão. O agiota cobrava propina dos recursos e dizia que se tratava de recurso intermediado por ele para beneficiar o município de São José de Ribamar.
O ex-prefeito garantiu que não pagou propina e afirmou que o agiota esteve em outras oportunidades a sua procura para receber valores; chegando ao ponto de ir até a residência de Eudes Sampaio.
E DE QUEM ERAM AS EMENDAS?
Consta no bojo do processo que foram enviadas três emendas para o município de São José de Ribamar, totalizando cerca de R$ 6,6 milhões. Elas teriam sido destinadas pelos deputados Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa (atualmente sem mandato).
E QUEM É O LÍDER DO BANDO ENGRAVATADO?
Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), o deputado Josimar Maranhãozinho seria o líder do esquema criminoso. Além de liberar as emendas, ele ainda coordenava o envio de outras. Para embasar o relatório, a PGR reuniu mensagens de whatsApp trocadas entre Josimar e Pastor Gil no final de 2019, quando Maranhãozinho disse para “deixar 1.048.000 para São José de Ribamar”, o que efetivamente ocorreu.
PACOVAN X MARANHÃOZINHO
A PGR também obteve as mensagens trocadas entre o agiota Pacovan e o deputado Josimar Maranhãozinho. Inclusive, teriam trocado mensagens até quando estava na Prefeitura de São José de Ribamar, tratando sobre o assunto.
MATARAM O AGIOTA ANTES DO DEPOIMENTO NA JUSTIÇA
Josival Cavalcanti, o “Pacovan”, o agiota conhecido em todo o Maranhão, foi assassinado a tiros, dentro de seu posto de gasolina, na cidade de Zé Doca (Maranhão), no dia 14 de junho de 2024. Poucos dias depois os assassinos foram presos e confessaram que agiram a mando de uma ex-funcionária do próprio Pacovan, supostamente demitida após desvio de valores.
PALAVRA DOS ACUSADOS
Josimar, Pastor Gil e Bosco Costa alegaram em suas defesas que a denúncia da PGR é vazia e genérica. Que são inocentes e que a tese da Procuradoria Geral de Justiça e fora de contexto e infundada. Dizem ainda que a PGR os denunciou apenas com a presunção de culpabilidade.
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