Faleceu hoje, por volta das 11h, o poeta, teatrólogo, advogado, historiador e ex-gestor, José Afonso de Araújo Lima. O artista estava internado desde o começo do mês, quando teve mais um episódio de aneurisma cerebral rompido.
Falece em Goiânia o artista e advogado José Afonso de Araújo Lima – Foto: Reprodução
Após um período para estabilização da pressão intracraniana na unidade de tratamento intensivo, Afonso foi submetido a uma cirurgia para implantação de dreno. A sedação foi retirada. A equipe médica e a família estavam aguardando o recobrar da consciência. Infelizmente, a situação se agravou e ele veio a óbito no final da manhã de hoje.
Legado
O dramaturgo deixa muitas obras. Sua escrita poética ou teatral tinha uma inclinação em construir. Zé viveu atentamente a mudança urbana que aconteceu em poucas décadas. Especialmente a partir dos anos 70. Mesmo período em que o artista começou suas atividades na encenação.
Zé Afonso começou a atuar na década de 70. Foto: Assaí Campelo
Na escrita, a habitação popular e as consequências dos primeiros conglomerados urbanos na capital piauiense. Sempre atento, trazia o olhar sutil e a crítica social, embutindo na voz de seus personagens a busca por uma moradia. Afonso também mantinha interesse pelos incêndios dos anos 40, que destruíam as casas cobertas de palha.
O intelectual construía uma ponte entre os temas oriundos de dilemas, que inspiravam suas peças, seus poemas, suas letras, seus livros. O artista marcou um período farto de produção de bens culturais de vulto. Este ano, o espetáculo de maior projeção completa 40 anos.
Abordando a vida dos moradores do maior conjunto popular de Teresina, o Dirceu Arcoverde, preferiu projetar o nome popular do riacho que passa pela região: Itararé. Deu voz ao povo, aos trabalhadores, às donas de casa. A população encontrou uma caixa de ressonância nas peças de Zé Afonso.
Ensaio Vocal
Em parceria com o maestro Aurélio Melo, desenvolveu o projeto de octeto de vozes mistas. Soprano, contralto, tenor e baixo. Duas pessoas cantando cada timbragem. O grupo apresentou-se em público a primeira vez em 1992. Gravou dois álbuns e fez muito sucesso aqui e fora, chegando a fazer shows na Europa.
Zé Afonso, 70 anos, residia em Goiânia. Foto: Facebook
A sensibilidade artística de Afonso transitava por várias linguagens. Foi ator, diretor e autor, no teatro. Poeta e letrista. Escritor. O olhar amplo de historiador e advogado abria mais ainda a visão do artista, que também atuou na gestão pública da cultura municipal, exercendo o cargo de superintendente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves.
Os artistas das artes cênicas, principalmente, estão manifestando o seu pesar pelo falecimento de Afonso em seus perfis nas redes sociais. A FCMC publicou nota lamentando a morte do artista.
A OPINIÃO DOS NOSSOS COLUNISTAS NÃO REFLETE, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DO PORTAL LUPA1 E DEMAIS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DO GRUPO LUPA1 .
Receba Notícias do Lupa1 pelo Whatsapp
Siga nas redes sociais
Deixe uma resposta