UFPI sob cerco: denúncias apontam autoritarismo, aparelhamento e disputas políticas internas

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) enfrenta uma crise institucional que ameaça os pilares da democracia universitária. Denúncias vindas de dentro da comunidade acadêmica, que chegaram a redação Lupa1, revelam um quadro alarmante de perseguição interna, assédios e desmonte de iniciativas acadêmicas, conduzidos pela atual gestão.

Segundo relatos, uma unidade acadêmica, o Centro de Ensino a Distância, passou a ser alvo central de práticas consideradas autoritárias e abusivas, em uma escalada de medidas administrativas sem diálogo, sem transparência e em flagrante desrespeito à autonomia universitária.

A engrenagem do autoritarismo

As denúncias listam um conjunto de ações que configuram um padrão de sufocamento institucional:

  • Intervenção direta na gestão de unidades, nomeando pessoas com cargo na reitoria para gerir projetos em unidades setoriais
  • Revogação e alteração de normativas internas sem debate ou consulta às instâncias envolvidas;
  • Retirada arbitrária de cursos da unidade, ignorando regras e tramitações regimentais;
  • Bloqueio de vagas pactuadas e/ou liberação de códigos de vagas;
  • Troca unilateral de coordenações de programas e projetos, rompendo contratos e acordos estabelecidos em reuniões;
  • Confisco de projetos acadêmicos e de pesquisa, frutos de anos de dedicação de docentes e equipes, apropriados pela Administração Superior;
  • Falta de insumos básicos ao funcionamento da Unidade;
  • Negativas e atrasos sistemáticos em respostas da Reitoria, criando um ambiente de paralisia e desgaste.

Essas medidas, segundo membros da comunidade, não são isoladas, fazem parte de um processo de centralização do poder e de exclusão de vozes dissidentes, instaurando um clima de medo e desmobilização.

Clima de perseguição e adoecimento coletivo

O que antes era um espaço de pluralidade e debate, hoje está descrito como um ambiente hostil, marcado por intimidações, assédios e constrangimentos institucionais. Professores, técnicos e estudantes relatam frustração, insegurança e adoecimento psíquico diante da falta de garantias mínimas de diálogo.

“O que está em curso é um projeto de poder, e não de universidade. Quem não se alinha, é silenciado ou deslegitimado”, denuncia um servidor que preferiu não se identificar.

CEAD – UFPI

O risco do desmonte institucional

Especialistas em gestão pública alertam que, ao naturalizar tais práticas, a UFPI corre o risco de consolidar um modelo de governança autoritário, sem espaço para o contraditório, a crítica e a diversidade acadêmica. Trata-se, afirmam, de um processo de desmonte institucional, que mina a confiança na universidade e ameaça sua função social.

O alerta é claro: o que está em jogo não é apenas a gestão de uma unidade, mas o futuro da universidade pública, gratuita, democrática e plural.

Confira os documentos:

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