Os pais de Alice Brasil Souza da Paz, de 4 anos, que morreu em julho deste ano nas dependências do Colégio CEV, em Teresina, concederam entrevista após serem ouvidos oficialmente no processo de investigação que apura as circunstâncias da morte da criança. Alice era filha do major do Exército Claudio Sousa e da fotógrafa Daiana Brasil.
“CEV mente, atitude canalha, pelas imagens a nossa filha morreu na escola”, diz pai de Alice – Foto: Reprodução
Durante entrevista à imprensa ao serem chamados para depor no caso, os pais reforçaram a dor pela perda e a expectativa de que a Justiça seja feita. Eles afirmam que as imagens de câmeras de segurança reforçam a versão de que a menina morreu ainda dentro da escola.
“Nossa filha morreu na escola”
O major Claudio Sousa relatou detalhes sobre o acesso da família às gravações.
“Eu gostaria de deixar claro uma situação que ocorreu novamente a gente veio presenciar, a família teve acesso já às imagens e aqui a gente tem como prova. O CEV mente, atitude canalha, revoltante. Eu digo pelo acesso às imagens que a nossa filha morreu na escola. Tenho a certidão de óbito: 13h36. O impacto do móvel caiu em cima da nossa filha às 13h33 e 5 segundos. O legista colocou 13h36, sendo que nossa filha pelas câmeras sai às 13h41. O que a gente espera é que as responsabilidades sejam apuradas, porque vamos lutar por justiça.”
Alice Brasil Souza da Paz, de 4 anos – Foto: Reprodução
O pai reforçou que a dor da perda não será esquecida.
“Entregamos uma filha para comemorar o aniversário dela e do irmão e recebemos um caixão. O que eu espero é isso: que seja provado o que aconteceu, que seja apurado. Nossa filha saiu morta do colégio.”
“O que queremos é justiça, não vingança”
O major destacou que confia no trabalho das autoridades, mas critica a postura da escola em relação à repercussão.
“CEV mente, atitude canalha, pelas imagens a nossa filha morreu na escola”, diz pai de Alice – Foto: Reprodução
“É difícil encontrar palavras que reflitam o que nós estamos passando. O que a gente confia é no trabalho da polícia, que a justiça seja feita. O que nos revolta são declarações rasas, colocações em redes sociais onde a escola fecha os comentários porque sabe da verdade. O que a gente quer é justiça, não vingança. Nossa filha infelizmente não volta mais, mas que todas as instituições tenham o cuidado devido às crianças. É uma dor infinita, impossível de mensurar.”
Impacto no irmão de Alice
A fotógrafa Daiana Brasil falou sobre as consequências emocionais no filho mais velho, Arthur, que presenciou o acidente.
“O Arthur tem apresentado um comportamento diferente. De vez em quando ele tem pesadelo, ele chora. Ele já sabe o que aconteceu, já entendeu, mas apresenta dificuldade na fala, evita contato visual, fica irritado. Ele não deixa a gente sair de casa porque sente medo. Era um menino muito tranquilo e agora vive essa luta. É muito difícil.”
Demora no processo
Questionada sobre a convocação da família apenas no fim de agosto, a mãe afirmou que não entende os trâmites, mas vê a participação como necessária.
“Eu sabia que iam ter que chamar em algum momento. Não entendo bem da investigação, mas estamos aqui. Vamos dizer o que for necessário para esclarecer tudo. Tem que ser feito.”
O pai defendeu que a tragédia seja um marco para mudanças estruturais em escolas e espaços infantis.
“O que a gente espera é que nossa filha não tenha morrido em vão. Já soubemos de estabelecimentos que tiveram reformas completas. É isso que a gente espera: uma lei, a Lei Viva Alice, para que ela seja um marco em prol da segurança de todas as crianças, seja em escolas, parquinhos ou colônias de férias.”
“Não foi fatalidade”
Daiana Brasil também se posicionou contra a versão de que a morte teria sido uma fatalidade.
“CEV mente, atitude canalha, pelas imagens a nossa filha morreu na escola”, diz pai de Alice – Foto: Reprodução
“Não, não foi uma fatalidade. Os fatos vão ser esclarecidos. O inquérito está sendo realizado e tudo virá à tona. O pior já foi, que foi perder minha filha. Tudo que diz respeito a ela me diz respeito também. Não posso me omitir. Nossa vida mudou completamente.”
Ela também cobrou mudanças na postura das instituições de ensino.
“Tenho certeza que sim. A segurança deve ser uma preocupação tão constante quanto a educação. Não dá para oferecer educação sem segurança. Nós entregamos uma criança saudável, achando que ela estava segura, e olha o que aconteceu. Transformou a nossa vida num mar de tristeza e revolta.”
Relembre o caso
Alice Brasil Souza da Paz, de 4 anos, morreu no dia 29 de julho dentro do Colégio CEV, em Teresina, após ser atingida por um móvel. A Polícia Civil segue investigando o caso. A escola, em nota anterior, havia tratado a situação como uma fatalidade. A família contesta a versão e cobra responsabilização.
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